segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Poker Trip Report 1: London

E aí galera!
Poucas novidades por aqui, né? O motivo disso é que vim pra Europa tentar a sorte por aqui. O plano era conhecer vários lugares e acertar um torneio live. Então ficou meio difícil postar. Até mesmo por que não estou realizando muitos estudos e fico sem assuntos interessantes.
A primeira parada foi Londres, que eu já conhecia e é demais. Sempre vale a pena voltar pra cá. Em termos de poker parece ser a cidade com mais opções da Europa. Neste mês vai acontecer a WSOP Europe e o EPT London. Ainda há outras séries menores e eventos pararelos. Jogos não faltarão. Ontem, no primeiro dia de Wcoops, foi o maior grind que fiz desde que cheguei aqui. Os Wcoops não renderam, mas consegui o pacote pra jogar o EPT London, que promete ser um dos maiores da série. Tive uma boa presença também no Monthly Million do Party, cindo entre 20º e 30°.
Estou aqui há duas semanas e até ontem o plano era conhecer e aproveitar a cidade. A partir de agora será jogo e mais jogo. Vai ser pesado, mas a expectativa de retorno é grande e estou muito confiante em tudo.
Tive um grande domingo, um dia antes de embarcar pra cá. Peguei dois quartos lugares, um no 100+R 300K GTD e um no UBOC 1K 500K GTD 6 max. Foi sinistro!
Comecei a jogar no Ultimate Bet também. O site é inferior ao PS e FTP obv, mas eles possuem vários torneios high stakes semanais. Me envolvi!
Em relação a Poker Icons. Meu perfil foi adiconado no site deles e estou em contato com meu agente aqui da América Latina e também com o pessoal da matriz, na Suécia. Estamos aproximando relações, pra mim saber como funciona exatamente o trabalho deles e eles saberam o que eu ando fazendo nas mesas. Agora começo a ficar um pouco mais empolgado com tudo isso. Tenho muita coisa já feita no online e acho q chegando em algo ao vivo, temos(eu e a Poker Icons) muitas chances de atingir o objetivo.
Vou trabalhar pesado esse mês, até o final dos Wcoops e EPT London e depois...

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Proximo passo: Patrocínio?

Essa é uma questão que venho levantando ultimamente. No LAPT Floripa observei os profissionais do PS e vi que eles precisavam fazer bem mais do que apenas jogar com o patch do site. É preciso dar entrevistas, fazer a social com muita gente, ouvir ainda mais pessoas contando histórias de bad beat. É preciso representar bem o site, ser um modelo de pessoa, além de ter um bom jogo. Acredito que eles também devem ter uma agenda a ser cumprida, torneios, entrevistas, escrever artigos, reuniões e outras coisas. Ou seja, já ficam parecendo mais empregados de uma empresa.
E isso não parece comtemplar meu estilo de fazer as coisas. Sempre priorizei minha liberdade, meu poder de decidir as minhas coisas, meus horários e meus caminhos. Quando viajei ao exterior, depois de completar o colégio, não fui por intercâmbio, apenas fui, confiando em encontrar casa, escola e trabalho por lá. Quando decidi largar a faculdade, me dediquei a um negócio em que eu trabalhava sozinho e era dono das minhas decisões, prejuízos e lucros. Sempre gostei de fazer as coisas do meu jeito e tenho certa dificuldade em trabalhar em equipe.
E agora estou me aproximando de um patrocínio e me pergunto se esse seria meu estilo de seguir com minha carreira daqui pra frente. Fico muito mais estusiasmado em fazer uma ft de um EPT, WSOP usando meu casaco xadrez azul, sem adesivo de site algum, do que ter um patch e um boné, seja de quem for. Acho que isso combinaria mais comigo. É claro, que isso não apenas uma questão de ser bonito ou não. Ser ou não ser patrocinado implica em muitas coisas. É muito mais difícil percorrer o circuito internacional sem ser. É preciso ser mais cuidadoso com o BR e jogar menos torneios caros. Mas acho q seria o caminho mais parecido comigo.
Vou esperar que algo acontece e se pintar uma proposta vou analisar com cuidado. Não quero perder a independência que tenho como jogador sem patrocínio. Pareço estar sendo um pouco arrogante e overconfident, mas é uma questão que venho pensando ultimamente.

Depois do mês espetacular que tive em junho, tive uma ressaca no meu jogo. Julho saí perdendo de leve. Bolhei muitas coisas, rodei muito mal e piorei um pouco o nível de jogo que tive em junho. Cometi alguns por jogar overagressive, mesmo com calls agressivos(na minha cabeça isso existe) ou por jogar muitas mãos e não conseguir manter o nível post-flop. O importante é que estava no lado agressivo da parada e assim os erros não são tão graves. Em agosto senti que tinha recuperado e evoluído um pouco meu jogo. E hoje vieram três resultados muito legais, o primeiro lugar no 100R do PS, o segundo no 100R do FTP e o segundo no FTOPS 215$ 7-Game. Esse último me deixou muito feliz, por ser minha segunda FT de FTOPS e ainda mais por ser em um Mixed games, que é onde eu vinha trabalhando nesse ano.
Estou muito empolgado com o livro do Cole South, 'Let There be Range'. Li algumas páginas somente e já me abriu a cabeça para algumas jogadas post-flop que ainda não tinha me dado conta. Adicionei raises em continuation bets e check-raises que já estão trazendo várias fichas que antes não viriam pro meu stack. É um livro bem avançado, mas estava precisando de uma leitura hardcore.
Para quem não viu, dei uma entrevista para o SuperPoker. Coloquei ali nos links o endereço.

that´s it.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

O pior e o melhor de ser um jogador de poker


O pior de ser um jogador profissional de poker é que as fases que vc passa no jogo influenciam demais no seu humor. Quando se roda bem e o jogo dá resultados as coisas tem mais brilho. Há mais motivação e em geral, atitudes positivas são tomadas em relação a sua vida. Algumas vezes ocorrem excessos e se passa dos limites, mas é preciso saber mudar de marcha. Em fases ruins, o contrário predomina. Bom humor, paciência, otimismo já não aparecem muito.
E torneios multi-table oferecem o pior disso! A variância é brutal e há mais períodos ruins que bons. Pelo que ouço e leio, jogadores de cash game não sofrem tanto disso, pois a linha de profit é mais suave.
Essa ano tive apenas dois meses bons, um deles espetacular, porém os outros cinco foram negativos ou break-even. Não é legal trabalhar e ver seu bankroll diminuindo. E isso afeta, e pelo menos pra mim, afeta bastante. Não reclamo, pois sei e aceito que poker é assim, mas qdo não estou ganhando parece que falta algo. Me torno mais distante das pessoas e mais fechado. Mas estou trabalhando nisso. :)
É por isso que algumas pessoas acham que sou bipolar, hehhehe, mas acho que é apenas reflexo do meu trabalho. Mesmo em janelas de tempo intra-day isso acontece. Há momentos em que a sessão está indo bem, damos um suck-out, ganhamos 3 flips seguidos e nossos stacks começam a crescer em alguns torneios. Em alguns minutos, uma onda de azar e suckouts contra nós acontecem e seu humor já despenca. Com certeza isso afetou vááárias conversas de msn que tive, principalmente com minha ex-namorada.

O melhor do ser um jogador profissional é, sem dúvida, o dinheiro. Adoooro!

Não reclamo do jogo ser assim. Essas dificuldades limitam o range de pessoas que podem ser vencedoras e isso é essencial para alguns poderem viver disso. Gosto das dificuldades que esse jogo impoe e não trocaria minha profissão por nenhuma outra!

Alguém sacou qual é da imagem lá aí em cima?
Essa loucura aí são os caminhos do mouse em uma sessão de poker de heads-up. Achei irado!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Pot Odds



Pot odds é um assunto que todo jogador de poker tem idéia do que seja e usa amplamente para justificar jogadas(ruins). Coisas do tipo "Tinha odds pra defender" ou "Paguei pelos odds" a gente vê toda hora. A verdade é que a maioria dos jogadores não sabe calcular pots odds de maneira efetiva. Isso quer dizer, de uma maneira rápida o suficiente para poder usar essa matemática no andamento de uma mão. Nesse post quero falar de odds post-flop. Situações do tipo: acertei no turn flush draw e uma broca e o adversário saiu apostando 2/3 do pote. Posso pagar?
O primeiro passo é calcular quantos outs efetivos vc tem. Aconselho ser mais pessimista do que otimista nessa parte. Ter margem de erro é importante sempre. Vale a pena dar uma pensada sobre isso, para n sair contando outs demais. O q torna a tarefa um pouco mais complexo é q vc precisa colocar seu oponente em um range de hands, para então calcular com mais realidade qtos outs são seus. Vou assumir que a maioria já sabe fazer isso com bom grau de correção.
Eu faço esse cálculo da seguinte forma. Digamos que eu tenha KhQh e flop e turn são Th9s3d 2h. O vilão é um jogador no lado tight. Nesta mão vc pagou para ver o flop em posição e resolveu dar um float com uma broca e duas overs no flop. No turn vc acerta seu flush draw. Você tem nove outs para o flush e quatro outs para a sequencia. Como o vilão apostou pré flop, no flop e no turn vc coloca ele em uma forte, então já não sabe se a dama ou o rei são outs. Vamos considerar desses seis outs apenas três. Então há 16 outs para sua mão melhorar. O baralho tem 52 cartas e seis delas vc já tem conhecimento(sua mão e o board). Sobram 46 cartas desconhecidas. Dessas 16 vão lhe ajudar e 30 não vão. Ou seja, vc pode pagar uma aposta que seja 1/3 do pote, por odds diretos(vou explicar implied odds). Digamos que o pote no flop tenha $1000 e o vilão aposte $500 no turn. Nesse caso vc tem os exatos odds para pagar já o que pote agora tem $1500 e vc precisa pagar $500.
No exemplo acima, se não tivéssemos mais nenhuma rodada de apostas seu retorno seria 0, break-even. Porém, se acertarmos nossos outs é possível que conseguiremos mais valor no river. Isso é chamado de implied odds. Não é preciso quantificar isso, mas saber que existe. Pegando o exemplo anterior. Se o vilão aposta $750 ao invés de $500, teremos um pote $1750 e um valor de $750 a pagar. Portanto não teríamos mais a proporção de $3 para cada $1 investido. Esse call tecnicamente errado, pode ser justificado e se tornar lucrativo pelos implied odds.
Como jogamos 21515187 mesas ao mesmo tempo, fica um pouco difícil fazer cálculos rápidos durante a sessão. Fiz essa tabelinha que deixo a vista para facilitar um pouco o processo. Não é nada mágico, mas agiliza. Os números são arredondados.

outs turn
6 .... 7.0-1
7 .... 5.8-1
8 .... 5.0-1
9 .... 4.3-1
10 ... 3.7-1
11 ... 3.2-1
12 ... 3.0-1
13 ... 2.6-1
14 ... 2.4-1
15 ... 2.0-1

Estes são os outs e odds para acertar sua carta no turn, porém utilizo os mesmo números pro river, já que a diferença é de apenas uma carta e já estamos trabalhando com números arredondados. Vale a pena treinar isso e fazer essa tabelinha vc mesmo para entender o processo e saber usar esse números.
Há um outro assunto chamado reverse implied odds, que está fortemente correlacionado com contagem efetiva de outs. Por exemplo, em um board QsQdJs Kc, vc tem As8s e está ponderando pagar uma aposta no turn na tentativa de acertar uma Xs ou um T. O problema é que seu oponente já pode ter um full house e nas vezes que vc acertar seus "outs", vai se colocar em uma situação que perderá mtas fichas. A lição é ter cuidado ao perseguir seus flushes ou straights em um board que já pode ter um full house ou perseguir seu straight em um board que tenha flushes.

E aí, deu pra pegar alguma coisa?

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Vamoooooo!

De volta nos trilhos! Ufaaaa...


Em 2009 a maioria dos adversários me colocava na categoria de jogador tight agressive. Porém, quem me viu jogar no último mês, sabe que estou jogando estilo maniac, overagressive, reckless(sometimes). E pareço ter me encontrado novamente.
Podem ter certeza, a geral aprendeu a jogar pré-flop. Hoje é possível encontrar mtos randoms jogando com % pré-flop bem respeitáveis. Isso é um pouco assustador, já que mtts online se baseiam mto em jogo pré. Talvez nesse primeiro semestre de 2010 eu tenha sentido isso. Parecia não haver mais mta edge em high-stakes mtts. Não estava mais respeitando minhas próprias decisões e subestimando minha própria habilidade no jogo.
Algumas coisas mto importantes que se solidificaram em mim.

"Tournament poker is about acumulation, just like cash games"
Estou jogando bem agressivo com % alta de VPIP e PFR desde o começo dos torneios. É lógico que a medida que o torneio avança, o field se afulina e o nível do adversário aumenta. Então, pq não tentar maximizar as edges enquanto o nível ainda é pitoresco e todos estão bem deep? Isso foi fundamental pra mim. Venho forçando jogar flops em posição contra jogadores que visivelmente estão cometendo erros. Também estou aplicando vários 3 bets, em posição, com mãos fortes, mas que foldariam para um 4 bet. Isso provou ser muito lucrativo. Se vc fizer isso contra um bom jogador, ele vai resolver a parada antes do flop, foldando(na grande maioria das vezes) ou 4 betando. Contra os mais fracos, o range de call é bem maior, mas na maioria vc acaba levando o pote inflado com um cbet.

As consequências diretas disso são que normalmente vou ter um stack mto bom no middle game ou vou ter caído do torneio um pouco mais cedo. Na verdade, nao devemos nos preocupar em cair cedo em certa % dos torneios. O foco é chegar entre os três primeiros. E basta um torneios pra isso.

Obv, ainda há mtas vezes que tenho que trabalhar short-stack e desse forma, sou obrigado a jogar tight-agressive(mas utilizando as técnicas dos shoves de 20bbs). Jogando short é mais fácil ser lucrativo, mas não é possível ter um ROI mto elevado. A grande edge parece ser mesmo no jogo deep. Uma das minhas brigas agora é ficar deep e poder jogar super loose.
Gboro, em uma well no p5s, foi perguntado sobre onde estava a diferença entre um average regular e um superstars do online. Ele respondeu: "Post-flop play". Para jogar post-flop é preciso estar deep. É daí que é possível conseguir um retorno maior. Obs.: é nescessário saber jogar bem post-flop tbm. Resumindo, enquanto se está deep em relação aos blings, o melhor é jogar torneios assim como cash games. Apenas quando os blinds crescem que se deve adotar os estilos de jogo que caracterizam short stack tournaments.

"open miniraises"
Essa talvez foi a grande sacada para poder executar meu novo estilo. Usando aberturas com miniraise, o custo benefício da investida ao pote é maior. Então é possível abrir muito mais mãos e constantemente pressionar a mesa. Como o investido ao pote é pouco, dá pra foldar bastante para 3 bets, sem se envolver muito. Dar calls em 3 bets ou 4 betar são moves que deixo para aqueles adversários que claramente estão abusando(em resposta ao meu abuso). Roubar potes pré-flop é arma principal do meu arsenal. É a arma mais lucrativa que disponho e muitas vezes deixo passar outros moves lucrativos, apenas para continuar com a robalheira de potes. Isso é small-ball. Várias vezes deixo de cbetar potes, apenas pq achava q o cbet não passaria uma % de vezes significativa. Double barrel deixo para situações muito óbvias apenas, não forço a barra. Resumindo, pego realmente muito pesado pré-flop, mas sou mais light post-flop. Isso faz sentido, uma pelo q expliquei sobre qual é minha arma principal e outra pq em geral meu range vai ser mais fraco que o do adversário. Se estou abrindo abrindo em certo ponto, 30% das mãos, e alguém me paga meu raise, é óbvio que em geral vou estar atrás.
As consequências de usar miniraises, contra raises padrões são poucas. A mais direta é que o big blind vai defender um pouco mais. Isso não chega a ser uma grande preocupação já que temos posição e iniciativa. Gosto desse fato intimidador dos miniraises. Tu dá odds para o bb defender com qq coisa, mas não está nem aí pra isso. Se quer jogar potes sem posição contra um bom jogador, o problema é teu!

'game flow'
Saber o q está acontecendo na mesa é fundamental para um loose-agressive player. Eu não sei colocar no papel esses conceitos, pq ainda não pensei muito sobre isso. Esse é o tipo de conhecimento que adquiri nas mesas mesmo. É mais um feeling, mas com certeza pode ser colocado no papel. Utilizo alguns indicadores para saber se meu open-raise vai passar ou não. Observo se alguém dobrou nas mãos anteriores. Se sim, considero que este jogador vai jogar de forma bem da força de sua mão, pois vai estar feliz com seu stack dobrado. Se alguém perdeu muitas na mão anterior, tbm considero que essa pessoa não vai querer fazer muitos moves. Isso talvez não vale para jogadores fracos, pois ele tiltam. Mas é bem verdadeiro para jogadores bons.
Outra situação: abro de botão e sou voltado. Na mão seguinte abro de novo e me voltam de novo. Não tenho nada e foldo. Na mão seguinte, a mesa roda em fold e também não tenho nada. A maioria pensaria em não abrir essa mão, mas parece ser uma grande situação. Não espero ninguém jogar muito tricky contra mim nesse spot, pq parece muito forte. Normalmente levo o pote pré-flop aqui e como o retorno dos miniraises é alto, praticamente recupero o investido nos dois openraises anteriores. Essa sequência de raises é chamado de "string bets" e são bem funcionais.
Game flow é assunto bem sutil. Gostaria de poder falar mais sobre isso.

Esse post já está bem massante e fico por aqui.

Abração !

sexta-feira, 11 de junho de 2010

:)

E aí!
Tinha um post praticamente pronto sobre as últimas mudanças que tinha feito no meu jogo e que estão funcionando muito bem. Mas com os acontecimentos das últimas semanas prefiro falar disso.

Finalmente todo o dinheiro investido em 2010, em torneios high-stakes, começa a dar resultado. Há duas semanas venci meu primeiro torneio 100+R, no FTP. Já havia vencido duas vezes o 100+1R+1A, mas nunca um 100+R livre. Então veio o esperado domingão e consegui fazer FT do Sunday 500, pegando um quarto lugar. Pra completar a good run, fiz minha primeira FT do Super Tuesday, outra vez ficando em quarto lugar. Nos dois torneios do PS, consegui contruir um belo stack by middle game e daí foi realmente muito suave para chegar até a FT. Small-ball bombando.

Fazem 3 dias que voltamos do Peru e a viagem foi demais! Bedias e luomagnífico são parceraços. A galera de Passo Fundo, Mr Brizza, MaxPudim e Luciano são ainda outras figuraças que só se encontra nesse nosso ramo. Troquei idéia com muitas outras pessoas que ainda não tinha falado muito: Vgreen, o parceiro do Vgreen que me esqueci o nome :(, Gabriel, Mojave, Amarula, José Rodrigues "Escobar", AlêGomes e "impulsivo". Nas mesas, pude dar uma treinada no inglês, já que espanhol não sai nada. Conheci dois americanos, gente finíssimas, Marty "TheLipoFound" e Chris Conrad e que são bem talentosos. Chris quase chegou lá, caindo numa mão gigante AQ<84s, se eu não me engano na 11ª posição. Troquei idéia também com a disputada Verônica "Princesa" e tive que 4 betar a moça em duas ocasiões. Falei um pouco também com Papadelpoker, grande jogador do Panamá, que me tirou do torneio.



Falando um pouco do torneio agora. A organização é impecável. O Poker Stars faz um ótimo trabalho, tanto no torneio, como fora, recebendo muito bem os jogadores. Houve uma festa de abertura, num pier. Lugar muito irado, tudo na conta deles! O hotel escolhido para abrigar os jogadores que satelitaram é, sem dúvidas, o melhor da cidade. A estrutura é muito boa também. Dá pra esperar good spots, assim como em um bom torneio online. O field é fraco e agora consigo entender o real valor desses live tournaments. Foi nesse torneio que peguei gosto pela coisa.

Comecei jogando bem tight, o que não era meu plano, mas não estava tendo os spots certos. Porém, logo no quarto nível, fiz uma jogada extremamente agressiva, onde coloquei minhas fichas atrás, mas saí por cima. Obviamente foi uma jogada pensada, contra o adversário certo, com o board certo, mas depois de jogar dois dias esse torneio e ver que há muito jogo, talvez teria optado por não ter executado tal linha. Um dos motivos que estavam me impedindo de soltar o braço era um adversário extremamente laggy, sentado duas seats a minha esquerada. Enquanto ele esteve deep, acho q estava jogando algo como 40/30, realmente um absurdo de mãos. Estava louco para pegar ele. Vamos a mão: blinds 150/300 a25, ele faz tudo 100 em utg+1, utg+2 paga. Eu no SB, com J8s, faço tudo 3500. Ele rapidamente paga e o caller folda. Até então eu não sabia como ele estava jogando contra reraises, pois live players, preferem call que 3 bets e era assim q a mesa estava jogando. Tive dificuldade de lhe colocar um range, mas era algo como any pair, ATs+, T9s+, talvez Axs. O board veio T87r. O pote tinha em torno de 8.5k e eu tinha 17k pra trás. Decidi que não foldaria mais minha mão. Dou check e ele beta 5k, eu faço tudo 15k, ele se levanta, fala qq coisa, e fomos pro pau. Para a minha total infelicidade ele mostra JJ. Porém, o turn trouxe meu 8 e o river veio blank! :0
Consegui soltar um pouco o braço, mas acabei o dia com 33k, na média.
No segundo dia, em outra mesa, pude soltar mais o jogo. Ganhei um flip, TT>KQo, fui para 70k. Consegui roubar vários blinds de um jogador muito tight. E na terceira vez seguida que aumento o blind dele, ele me volta. Mas desta vez tenho AK. :). Mando allin e ele folda. Vou a 100k. Me mantive entre os 70 e 90k por algum tempo. Já em outra mesa, consegui dois bons resteals e continuei mantendo meu stack. Então veio a mão crucial. Um jogador que tinha chegado na mesa a pouco tempo, manda 18bbs(70k) em CO. Eu acordo no SB com AQo, com 80k de stack. Ele não era guri, mas tinha aparência jovem. Eu não sabia se ele tinha conhecimento do poder dos big shoves em late pos. Estávamos perto da bolha. Na internet eu vou pro pau sem pensar muito. No live acho q é mais borderline. Decidi que queria ter um bom stack para abusar na bolha e fui pro pau. Para a minha felicidade ele mostra AJo! Board vem QT8... turn K! Shit... Mas blz, ainda sobraram 8k. Mando allin de JTo e dobro contra o J8o do BB. Duas mãos depois sou BB e encontro JJ. Papadelpoker, mandou allin e eu insta pago. Perdi o flip e GG. De qq forma, grande presença.
Joguei muito confiante e não tive medo de fazer o que achava certo. Sem dúvida, foi uma grande xperience.


joaoMathias e Bedias


hotelzinho

Vou voltar a escrever de estratégias e táticas, agora me pilhei um pouco mais. Ainda essa semana libero o post que está quase pronto, falando da importância de sempre se focar em acumular chips e dos miniraises pre-flop.

Feels good to run good again.

terça-feira, 4 de maio de 2010

20bbs Open Shoves

Assisti ao último vídeo de AJKHoosier e percebi que ele estava usando muitos open shoves com bem mais que 10bbs. Por exemplo, se ele estava no botão e a mesa rodou em fold, ele mandava QT, K7, T9, Axs.
É uma solução muito interessante em diversos casos. Você tem KJo no CO com 20bbs. Os outros três jogadores também possuem em torno de 20bbs. Aumentar ali com intenção de foldar é queimar dinheiro. Alguém VAI te voltar. Foldar é uma alternativa, bastante usada até, onde não ganha e não perde. Porém shovar vai te trazer retorno positivo. E passar essas small edges não é aconselhado com os jogadores ficando cada vez melhores.
Obviamente as vezes tu sai do torneio em situações que parecem desnecessárias, onde teu QTo vai encontrar KK nos blinds. Mas isso faz parte. Na maioria das vezes, vc leva a mão pré-flop. Nas outras vc vai ter em torno de 30% de dobrar. Mas lembre que vc está dobrando 20bbs. Em um cálculo bem rudimentar: 30%(dominado) x 40bbs = 12 bbs. Caso vc prefira esperar, e possivelmente baixar seu stack para 10bbs, para então conseguir uma situação dominante teremos 20bbs x 70% = 14bbs. Se formos até o showdown, teremos uma pequena desvantagem, mas o poder desses shoves grandes é levar o pote pré-flop.
Shovando tu elimina boa parte das mãos que um oponente que tenha um stack de resteal jogaria. Se tu dá open raise ele vai poder te voltar com qq parzinho, com suited conectors, com broadways e as vezes com any two. Se tu shova ele perde seu move mais forte.
Algumas considerações:
1. As posições ideias para esses shoves são SB, BTN, CO, HJ, nessa ordem(obv). Big shoves de posições inciais precisam ser defendidos com mãos muito boas, como AQ, AK, 88+.
2. Essa tática contempla torneios turbo muito bem e deve ser amplamente usada. Ela funciona melhor para torneios regulares do FTP que PS. No Full Tilt os antes são maiores e a estrutura de final de torneio é mais short stack.
3. O ideal é usá-la contra adverários que tenham até 30bbs e que sejam muito agressivos(que te voltariam facilmente um all-in, fazendo tu foldar). Caso os jogadores restantes sejam muito tight e scared, o range de pagar o seu shove de 20bbs e o range de reaumentar teu open raise normal vai ser muito parecido. Isso quer dizer que haverá mais retorno dando um raise padrão e foldando para um reraise.
4. Se tu vai mandar a casa do botão com T9o, K9s, 22, e A2s, tu tbm manda a casa com mãos premium. Isso vale principalmente contra jogadores regulares. Já mandei 20bbs do botão com AK e o BB, que tinha mais fichas que eu, pagou com A5o. Ele é um jogador conhecido e já está adaptando seu calling range contra esse move. Apesar disso, A5o é muito fraco pra pagar esse shove. Caso tu esteja lidando com amadores, aconselho mudar de tática com suas premiums, principalmente os pares. Contra esses jogadores, tu não precisa te preocupar em balancear ranges. Usando o raise padrão ~= 2.5x tu oferece mais oportunidades de eles cometarem erros.
5. Vc não sangra chips jogando assim. Muitos ainda pagam para ver o flop se tu abrir 20bbs de stack, apesar de não aconselhado. Nesse caso, jogar post-flop é bem complicado. É praticamente torcer pra acertar o flop ou qq movimento do oponente te tira da mão.
6. A grande dúvida de tudo isso é saber qual jogada tem o melhor retorno, dar all-in ou dar open-raise e foldar pra um rraise ou jogar post-flop. Jogadores live vão ser defensores do open raise. Mas no universo online, o shove deve ser melhor. Resteal stack é um assunto que todo mundo q joga online conhece. No live as pessoas cuidam mais da vida no torneio e jogam mais tight.
7. Tenho uma leve tendência a ser mais agressivo com os shoves quando já estou ITM. Torneio de poker é sobre acumulação. Tu está jogando para fechar torneios. Após estar na grana, o objetivo passa a ser buscar todas as fichas e se um spot for EV+, eu vou querer usá-lo. Próximo da grana, posso deixar passar alguns close spots, apenas para não machucar meu retorno ICM wise.
8. Alguns podem questionar que melhores spots virão e é preferível deixar passar jogadas tão borderline. Eu acho que tu deve aproveitar ambos. Se este de agora é +EV, eu aproveito, assim como o próximo que surgir. Eu não me preocuparia com variância. Não há nada mais broxante que em um dia pegar 18ª, 14ª, 11ª e 9º e isso estava acontecendo direto comigo. Agora estou entrando nas mesas finais com belos stacks e estou chegando muito mais nos primeiros lugares, que é o que importa. Me parece que isso até diminui a variância.
Dêem uma olhada em como jogam DJK e AJKHoosier. Eles shovam valendo.
Há uma disucssão bem legal neste link: AQUI
O tópico foi criado por Barry Greenstein que defende o open-raise fold e a galera do online tentando mostrar pro cara que o open-shove é o melhor. Tem opinião do Rizen, DJK, Annette. Vale a pena.
É mais ou menos isso que sei sobre o assunto até agora. Não fazem mais de duas semanas que comecei a utilizar. A Triple Crown conquistada e várias outras mesas finais devo créditos a esses shoves.


Nosso dia-a-dia:


Abraço!